Digam o que quiserem, a Doutrina Espírita ainda é a melhor opção.
HISTÓRIA – O DESAFIO
Um jovem foi desafiado a percorrer um caminho perigoso em mata fechada, onde haviam ladrões e salteadores, sem contar os animais selvagens que habitavam aquela região. Ele aceitou o desafio porque, se saísse vivo, ao final do percurso receberia uma grande soma em dinheiro, o suficiente para sanar todas as dívidas da sua família e ainda sobraria um pouco para reorganizar a sua vida.
Ele se preparou, comprou kit de sobrevivência, utensílios necessários e roupa apropriada para a viagem. Ah! Ia esquecendo, comprou uma faca de sobrevivência na selva, de cor preta, isso porque ele não podia levar arma de fogo.
Tudo pronto. No dia marcado, ele saiu pela manhã, familiares choravam e pediam para ele desistir, mesmo porque, se desistisse, não perderia nada, a não ser a honra — seria motivo de chacota. Mas ele era um jovem que levava a palavra a sério e a desonra não fazia parte do seu caráter, sem contar a soma em dinheiro.
Pegou uma trilha. Mapa em uma mão e a bússola na outra. E assim ele entrou na mata fechada, onde o silêncio era assustador. Vez por outra ouvia galhos quebrarem, aquele som seco de galhos quebrando e grito desesperado de animal se debatendo era assustador para ele. Mas não se intimidava, só pensava nos quarenta quilômetros que tinha que percorrer; era fácil, assim pensava.
Depois de três quilômetros em mata fechada, viu à sua frente um homem velho com um cajado na mão andando com dificuldade. Ele acelerou os passos até alcançar o velho, que, na verdade, queria ser alcançado.
- Bom dia! O que o senhor faz aqui tão longe de casa? Inquiriu se mostrando cordial.
- Bom dia, meu rapaz, esta é minha casa. Respondeu o velho com delicadeza na voz e um gesto de riso nos lábios.
- Não entendo, Como o Senhor pode morar aqui se não vejo nenhuma casa? Ele respondeu com outra pergunta:
- E você o que faz aqui percorrendo esta estrada perigosa?
- Estou indo para o vilarejo que tem atrás dessas montanhas e apontou para a cordilheira que, de onde estavam, parecia bem mais baixa do que realmente era – era íngreme e passava um pouco dos dois mil metros, dependendo do lugar.
- Mas você está tomando a trilha errada… Observou o velho.
- Como assim? O mapa que eu tenho diz que a trilha é esta… Falou o jovem.
- Não! Por este caminho você vai andar em círculo e voltar a este lugar. Tome esta outra trilha, que vai te levar àquela ponte de madeira. Veja, olhe para a ponta do meu dedo, está vendo a ponte? Ele confirmou balançando a cabeça. Atravesse o rio por ela e siga em linha reta até alcançar a base da montanha… Orientou o ancião.
E ele, desatento, como sempre, foi sentar numa rocha quando ouviu o grito do velho.
- Não senta aí, vem rápido pra cá. Ele levou um susto e rapidamente obedeceu. Ao chegar perto do velho, olhou para trás e viu uma cobra cascavel pronta para dar o bote. Ele agradeceu àquele senhor, despediu-se e tomou novo caminho.
Dois dias se passaram até chegar à ponte de madeira; atravessou e tomou uma picada que levava até a base da montanha. Ao chegar lá, olhou para cima e viu o quanto ela era alta e ficou pensando como chegar no topo, já que ela era muito íngreme e ele não tinha experiência em alpinismo. Recostou a cabeça num tronco e, ao dormir, teve um sonho. No sonho, ele viu o velho que se transformou num homem de meia-idade que o pegou pelo braço, levando-o a percorrer a base da montanha. Depois de algum tempo, parou e mostrou a entrada de uma caverna.
Ele acordou assustado e viu que começava a chover. Recolheu os seus pertences e um pouco desorientado, sem saber o que fazer, lembrou-se do sonho. Percorreu o mesmo caminho e viu a entrada. Parou um pouco e ficou pensando se entrava ou não, mas o sonho estava muito claro em sua mente. Resolveu entrar. Cinquenta metros de caverna adentro, tomou o maior susto quando se deparou com uma revoada de morcegos. Passado o susto, continuou andando. Como não tinha luz solar, perdeu a noção de dia e noite – A luz que tinha era do lampião. Cansado de andar, sentou um pouco, mas uma voz, enérgica, disse para continuar andando e que ele não podia parar.
Sem entender o que estava acontecendo, levantou-se e continuou andando. O sono, o cansaço e o estresse se transformaram em choro, e ele lamentou amargamente a decisão que tomou. Não havia como voltar atrás, só tinha que seguir em frente. No desespero, avistou ao longe uma luz que parecia ser a luz do sol, mas a princípio achou que era uma ilusão óptica. Não era, na verdade era a saída da caverna. Mas, ao sair, não viu o lugarejo, estava perdido e desorientado, perdeu a bússola e o relógio estava quebrado. Sem saber como, o ancião se aproxima e diz:
- E aí, jovem, como está? Conseguiu chegar do outro lado da montanha… Isso é bom! Disse sorrindo.
- Consegui, mas o preço foi muito alto e, chorando, continuou: "Nunca mais eu aceito um desafio dessa natureza…
- Que bom! Aprendeu que nem sempre o caminho mais fácil é o mais seguro. Não me leve a mal, mas, se você tivesse esperado um pouco mais, teria conseguido resolver os seus problemas sem colocar a vida em risco. E tenha sempre em mente, o orgulho e a vaidade, não são os melhores conselheiros…
- Entendi e obrigado… Como eu faço para chegar no vilarejo?
- Olha para trás, ele está atrás de você. É só seguir esta trilha que você chegará lá…
Ele virou-se e viu o vilarejo e exclamou:
- É mesmo! Um sorriso estampou-se no seu rosto.
Ao virar-se para agradecer ao velho, este havia ido embora… Ele ficou pensativo e, em seguida, tomou a trilha. Três horas depois entrou no vilarejo, onde encontrou equipes de resgate aéreo e de mata. Surpreso, ficou sabendo que a sua aventura demorou 25 dias em mata fechada.
Seus familiares, ao vê-lo, ficaram bastante emocionados. A dor deu lugar à alegria.
Em casa, já refeito da aventura, contou aos seus familiares que só conseguiu fazer o percurso graças a um velho que encontrou na mata em diversos momentos da sua caminhada e que até mesmo no seu sonho ele esteve ao mostrar a entrada da caverna, que era desconhecida de todos, e que gostaria muito de agradecê-lo.
Sua mãe, a que tudo ouvia, levantou-se, enxugando as lágrimas, foi até o sótão, onde guardava lembranças de família, e voltou com uma fotografia amarelada pelo tempo e perguntou:
- O velho é este aqui?
Ele pegou a foto e surpreso disse:
- Sim! É ele mesmo… Não estou entendendo… Sua mãe interrompeu e, chorando, disse:
- É o seu pai que morreu quando você nasceu. Quando nos casamos, ele já era velho e eu, sua cuidadora… Como não tinha herdeiros diretos, eu passei a ser sua herdeira universal. Logo em seguida fiquei grávida dele… Quando você nasceu, depois de três meses, ele morreu… Passado algum tempo, eu casei novamente e este que você chama de pai não é seu pai biológico, é seu pai de coração.
10102026
J. W. Braga







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