Digam o que quiserem, a Doutrina Espírita ainda é a melhor opção. Jwb.
O QUE DISSE ALLAN KARDEC SOBRE O MATERIALISMO
“Por uma aberração da inteligência, há pessoas que não veem nos seres orgânicos senão a ação da matéria e atribuem a esta todos os nossos atos. Eles enxergam no corpo humano apenas a máquina elétrica; não estudaram o mecanismo da vida mais do que o funcionamento dos órgãos; viram muitas vezes a vida se extinguir pela ruptura de um fio, e nada mais enxergaram além desse fio; procuraram se restava qualquer coisa e como nada encontraram exceto a matéria, que se tornara inerte, e como não viram a alma sair e não a puderam apanhar, eles concluíram disso que tudo estava nas propriedades da matéria, e que assim, depois da morte, não resta nada do pensamento. Triste consequência, se fosse assim, pois então o bem e o mal ficariam sem sentido; o homem teria razão em pensar só em si e em colocar acima de tudo a satisfação de seus desejos materiais; os laços sociais ficariam rompidos e as mais santas afeições seriam aniquiladas sem volta. Felizmente, essas ideias estão longe de serem generalizadas; podemos até dizer que elas são muito circunscritas e não são mais do que opiniões individuais, pois em parte alguma elas se tornaram uma doutrina. Uma associação fundada sobre essas bases traria em si a semente da sua dissolução e seus membros se entredevorariam como bestas ferozes.
O homem tem instintivamente o pensamento que nem tudo para ele acaba com a vida; ele tem horror ao nada; é em vão teimar contra a ideia do futuro e quando vem o momento supremo são poucos os que não se importam com o que vai ser deles, porque a ideia de deixar a vida sem retorno tem qualquer coisa de lastimável. Quem realmente poderia encarar com indiferença uma separação absoluta, eterna, de tudo o que tem amado? Quem poderia ver sem terror abrir-se diante si o imensurável abismo do nada, onde viessem a ser engolidas para sempre todas as nossas faculdades, todas as nossas esperanças, e dizer a si mesmo: Ora, pois! Depois de mim, nada, nada mais senão o vácuo, tudo definitivamente acabado; mais alguns dias e a minha lembrança será apagada da memória dos que viverem depois de mim; em breve, nenhum vestígio restará da minha passagem pela Terra; até mesmo o bem que fiz será esquecido pelos ingratos a quem beneficiei; nada para compensar tudo isto, nenhuma outra perspectiva além daquela do meu corpo comido pelos vermes!
Este quadro não é mesmo horrível e frio? A religião nos ensina que não pode ser assim e a razão o confirma. Mas tal existência futura, vaga e indefinida, não apresenta nada que satisfaça nosso amor ao que é concreto; é isso que, para muitos, gera a dúvida. Nós temos uma alma, que seja; mas o que é a nossa alma? Ela tem forma, uma aparência qualquer? É um ser limitado ou indefinido? Dizem alguns que é um sopro de Deus, outros uma centelha, outros mais dizem que é uma parcela do grande Todo, o princípio da vida e da inteligência; contudo, o que tudo isso nos ensina? Que nos importa ter uma alma se depois da nossa morte ela se mistura à imensidade, como as gotas d’água no Oceano? A perda da nossa individualidade não equivale ao nada? Dizem também que a alma é imaterial; ora, uma coisa imaterial não poderia ter proporções determinadas; para nós isso não é nada. A religião nos ensina ainda que seremos felizes ou desgraçados conforme o bem ou ao mal que tivermos feito; mas o que é essa felicidade que nos aguarda no seio de Deus? Será uma beatitude, uma contemplação eterna, sem outra ocupação exceto cantar louvores ao Criador? As chamas do inferno serão uma realidade ou um símbolo? A própria Igreja lhes dá esta última significação, mas quais são esses sofrimentos? Onde é esse lugar de suplício? Numa palavra, o que se faz, o que é que se vê nesse outro mundo que espera por todos nós? Dizem que ninguém jamais voltou de lá para nos dar informações. Isso é um erro, e a missão do espiritismo é precisamente nos esclarecer acerca desse futuro, e até certo ponto nos fazer tocá-lo com o dedo e com a vista, não só pelo raciocínio, mas pelos fatos. Graças às comunicações espíritas, isso não é mais uma simples presunção, uma possibilidade sobre a qual cada um cria conforme sua vontade, que os poetas embelezem com suas ficções, ou enfeitem de imagens alegóricas que nos enganam: é a realidade que nos aparece, pois que são os próprios seres de além-túmulo que vêm nos descrever sua situação, relatar o que fazem, permitindo-nos assistir, por assim dizer, a todas as peripécias da sua nova vida, e nos mostrando, por esse meio, a sorte inevitável que está reservada para nós, na medida dos nossos méritos e deméritos. Haverá nisso alguma coisa de antirreligioso? Muito ao contrário, pois os incrédulos encontram aí a fé e os mornos encontram a renovação do fervor e da confiança. Portanto, o espiritismo é o mais potente auxiliar da religião. Se é assim, é porque Deus o permite, e o permite para reanimar nossas vacilantes esperanças, e para nos reconduzir à senda do bem pela perspectiva do futuro.”
Extraído de:
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec (1804-1869). Tradução: Ery Lopes. Distribuição gratuita: Portal Luz Espírita (www.luzespirita.org.br).
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